quinta-feira, 12 de abril de 2012

Lilith, a caverna obscura!

Esse texto possui trechos de traduções de Thomas Karlson

Lilith, Mãe dos Demônios, Rainha dos Vampiros, Governanta das Meretrizes e a Imperatriz do Mal é uma deidade que tem assombrado a humanidade desde o tempo dos Sumérios e até os dias atuais. Ela é mencionada em antigos manuscritos sumérios como “Lil” e era temida como a demoníaca tempestade arrasadora.

Posteriormente, seu nome seria associado com a palavra semita “Layil”, que significa: “a noite”. Lilith é temida como também desejada em razão de sua beleza mítica. Nas noites, assombra homens e mulheres e seduz todos aqueles que estão adormecidos, irradiando prazeres sexuais que superam tudo o que poderia ser gerado em nível material. Lilith é mencionada em antigos textos judeus como o “Zohar” e o “Talmud” e, no manuscrito “Alfa Bet Ben Sira”, a clássica história de Lilith é relatada.

Segundo a lenda, foi a primeira esposa de Adão criada independentemente dele ( com o mesmo “barro vermelho”). Resumidamente, Lilith se recusou à submissão sexual imposta pelo marido e, repleta de revolta com a “dita” soberania masculina, retirou-se do “Éden” para o deserto onde encontrou as amaldiçoadas criaturas banidas pelo Criador. Uniu-se com o soberano Samael (anjo caído) dando origem à uma casta de demônios.

Dentre a grandeza do misticismo judeu, Lilith é considerada a lua primeva que irradiava luz através de sua própria força não necessitando do Sol como fonte. Dito é que a grande punição foi retirar da Lua sua autonomia energética submetendo-a à Luz e energia solar. Essa transição ocorre justamente com o aparecimento de Eva (2ª esposa de Adão), mulher calma, submissa e subordinada à deidade masculina. Lilith, que possuía luz foi exilada às trevas do deserto.

Através de sua condenação, Lilith transformou-se dentro da existência sombria tornando sua existência qliphótica. Governante da qlipha “Gamaliel”, Lilith é um grande portal para a obscura “Árvore da Morte”. “Gamaliel” representa o próprio lado noturno de todo plano material onde a Deusa é a própria natureza sombria da Lua, regente dos sonhos e pesadelos pecaminosos.

A Qlipha “Lilith” (também conhecida como Nahemoth) corresponde ao selvagem e ao carnal. Lilith é chamada de “a alma dos animais selvagens” (Zohar 1:34ª) e “Mãe Terra” em seus aspectos mais destruidores e violentos. Entre os antigos sumérios era chamada “Lil” e representava as tempestades destrutivas e furacões. Esotericamente, é o aspecto incontrolável contido na existência física do homem. Assim, o homem que tenta negar e reprimir esses aspectos cria uma estrutura para sua existência na qual essa força selvagem é incapaz de se harmonizar, todavia, essa força incessantemente penetra nas estruturas com tamanha selvageria que derruba todas as tentativas de criar um pacífico Éden.

Lilith não repousará abaixo (não se manterá no “Coagula”). Isso pode ser visto como uma metáfora da “Mãe Terra” que não permite ser explorada. A qualquer momento Ela pode “abrir seu útero negro” e engolir os monumentos fálicos do homem, pois é a deusa gótica que produz os terremotos que devoram os “arranha-céus e torres das igrejas” triturando-os dentro das trevas de seu útero despertando os demônios em todos, inclusive na mente dos sensíveis ateus.

Artistas românticos como Caspar David Friedrich e Arnold Böcklin, retratam-na em seus trabalhos como as forças sublimes da natureza que conquistam a civilização humana. As pinturas desses artistas, que descrevem como uma natureza sombria e grandiosa abre o portal para o outro lado, apresentam ao mago uma boa imagem de como a qlipha “Lilith” pode parecer.

Lilith é a Mãe dos Demônios e dentro dela que o mago deve buscar as outras Qliphoth.

É em sua direção que o pentagrama obscuro está apontando. O pentagrama da magia negra aponta em direção a terra, ao solo que remete à tempos antigos e primordiais. Este é o solo que fermentou as qliphot, pois as mesmas são a realidade que nos recusamos enxergar. Um mago negro não olha para os céus como o adepto da tradição iluminada, cujo objetivo é a busca de algum mundo paradisíaco; utópico. Um mago negro olha para baixo em direção a terra para buscar os tesouros escondidos por milhares de anos. O útero de Lilith é o portal para o submundo e as esferas das qliphoticas ,porém, para o mago ser capaz de atingir as regiões inconscientes onde os maiores tesouros, forças e habilidades podem ser encontrados, deve penetrar no útero da Deusa Sinistra. É também em seu útero que o mago conjura os demônios das qliphoth. O útero de Lilith é o túmulo que o adepto das trevas adentra livremente, densificando-se até o submundo “Reino da Morte” em uma jornada iniciatória em direção ao renascimento.

Na verdade, encontrar a Qlipha Lilith é a primeira dificuldade para o mago Qliphótico. Lilith é o “antimundus” em oposição à esfera mundana, Malkuth. Isso significa que ela existe no meio de nosso mundo, mas em aspectos cuja grande maioria dos homens ignora e reprime. Através de uma exploração dos princípios que compõem a esfera mundana, o indivíduo pode encontrar a qlipha Lilith indo além e contra esses princípios.

Estar desperto significa obter o nível mental básico de consciência na existência humana. Sono é a ausência do estado desperto assim como representa o útero da qlipha Lilith. Partes reprimidas de nossa mente aparecem em sonhos tomando formas demoníacas, pecaminosas e amorais que refletem tanto nossos desejos como nossos medos.

A qlipha Lilith pode abrir seus portais através de meios inesperados e nos mais inusitados lugares. Por exemplo, um banco no meio da cidade, que por alguma razão misteriosa é raramente escolhido ou mesmo visto por pedestres, pode ser um portal para os mundos de Lilith.

Uma palavra antiquada dita em um contexto peculiar pode ser a forma que causa a abertura de seu útero. Um meio efetivo de entrar em contato com a qlipha Lilith é sair até a natureza selvagem à noite e meditar na escuridão onde os objetos não são mais tão visíveis, pois nublam-se numa névoa obscura. Sob tais circunstâncias, Lilith pode ser encontrada. A escuridão é seu útero e esse é o objetivo das evocações do mago.

Incontáveis encantamentos têm sido usados para tentar banir Lilith. Podemos citar o medalhão aos três anjos perseguidores (Snvi, Snsvi, and Smnglof), mas muitas fórmulas invocatórias tem sido criadas e desenvolvidas pelos magos obscuros para conectar essa força.Dito é que se a seguinte fórmula for cantada/repetida treze vezes, supõe-se que Lilith apareça:

“Marag Ama Lilith Rimok Samalo Naamah”


Durante o contato com a Qlipha Lilith uma idéia abstrata ou forte impulso emocional pode ser recebido. Em outros casos, o mago pode encontrar o demônio governante da Qlipha ou adentrar os túneis Qliphóticos. A Qlipha Lilith é governada por um demônio feminino chamada Naamah. Ela tem sido chamada de filha ou irmã mais nova de Lilith.

Descrita em algumas visões, aparece como uma poderosa rainha vestida com vestes ricas adornada com muitas jóias. Algumas vezes é sedutora, noutras pode ter uma natureza tirânica. Quando o mago quer canalizar a força da Qlipha, Naamah é invocada. Esta força é usada principalmente em rituais que visam influenciar e controlar níveis materiais.

Lilith é o lado negro da Shekinah, corresponde à Sophia Gnóstica e à Shaki Tântrica. A Shekinah, Sophia e Shakti são a sabedoria e força que estão ocultas no plano material. Quando ela desperta, essa deusa obscura pode levar o homem ao nível divino. Nos mitos, essa deusa é comparada à uma serpente e corresponde à terrível força primordial que existiu no início dos tempos antes do deus masculino criar sua luz e o mundo. Ela é Leviatã ou Timat: o antigo caos que existiu antes do cosmo ter sido criado.

Na tradição Tântrica, Lilith possui aspectos similares à deusa Kali. Kali é a selvagem força vermelha que dança em êxtase e destrói com uma mão e cria com a outra. Ela é tanto o veneno que traz sono como a sabedoria que pode despertar. Kali corresponde ao vulcão latente que aflora no homem e é chamado de Kundalini, frequentemente correlacionado a uma serpente ou dragão (Taninsan).

Na terminologia Tântrica, Lilith corresponde à parte anterior ou interior do Muladhara Chakra. Muladhara é a zona de energia que está localizada entre o ânus e as genitais, donde o dragão adormecido (Kundalini Negra/Taninsan) repousa. Um modo de contatar Lilith é meditar no Muladhara Chakra. O Muladhara é comparado à uma lótus vermelha e o mago deve meditar na parte anterior da lótus nesse caso. Aqui a primeira caverna Qliphótica pode ser encontrada onde o Dragão adormece pronto para despertar.

3 comentários:

  1. Quero fazer pacto com lilith como fasso ? Mais o pacto correto

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  2. Olá gostaria de lhe conhecer Melhor e fazer um laço de amizade pode ser ...
    Podemos ser irmãos quem sabe?...
    Celular 11 946579135
    email: thiago_lnx@hotmail.com

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